Marinha brasileira monta hospital assistencial em Santiago, no Chile
A Marinha do Brasil enviou ao Chile um hospital de campanha para ajudar no resgate em zonas de catástrofe ao sul do país, mas acabou sendo montado no subúrbio de Santiago para suprir uma unidade de saúde abalada pelo terremoto. "A ideia inicial era ir para Concepción, onde o terremoto destruiu mais, mas chegando o ministro de Saúde do Chile [Álvaro Erazo] pediu para ficarmos aqui", relata o almirante Sérgio Pereira, que já esteve em Angola fazendo trabalho similar.
"Estamos funcionando como uma emergência da cidade, atendendo aos casos comuns que acontecem em qualquer metrópole. Tem infarto, AVC, tentativa de suicídio, crise de hipertensão, diabete descompensada. Foi uma adaptação, nos transformamos de hospital de trauma em hospital assistencial. Não é um hospital de conforto, não tem mármores ou luzinhas, mas garantimos o atendimento", sintetiza Carlos Eduardo Arruda, capitão de fragata médica e responsável pela unidade provisória brasileira encravada no subúrbio da capital chilena.
A diplomacia levou esse hospital militar brasileiro para essa rua suburbana de Santiago. Antes, estava de prontidão para ir também para o estremecido Haiti. Não foi porque já havia uma unidade por lá servindo à ONU.
A missão tem prazo inicial de dois meses, mas depende da recuperação do hospital Felix Bulnes, comprometido pelo sismo de 27 de fevereiro.
Os brasileiros chegaram no dia 3 de março, apenas 48 horas depois do presidente Lula ordenar a ajuda ao Chile. O contingente naval, formado por 46 do grupo de saúde e 57 fuzileiros, veio com unidade para cirurgias de médio porte, sala de dentista, laboratório, farmácia (com remédios grátis), caixas d´água, gerador, purificador de água e até uma ambulância com tração nas quatro rodas, especial para resgates em terreno adverso. E os computadores trazidos do Brasil já estão interligados com o sistema de saúde chileno.
Desde o sábado passado, quando tudo ficou pronto, já foram atendidas mais de 800 pessoas, algumas encaminhadas pelo hospital fechado, mas muitas por conta própria. Uma barraca exclusiva para pediatria de emergência será montada, afinal, o hospital clausurado era especializado nisso.
No total, dez hospitais chilenos foram destruídos e 29 sofreram danos e tiveram que fechar (14 deles com queda de mais 75% de sua estrutura). Os mais atingidos foram as construções que tinham mais de 50 anos de existência.
Fonte: Notícias Uol